Vários Ser

Há anos, um jovem de 17 abriu um livro de Sartre, pois acreditava que o existencialismo era um humanismo. Naquele livrão, o filósofo francês dizia que (mal traduzido pela memória) somos apenas um eu, ainda quando simulemos ser outro, não saímos daquele eu. Digamos que qualquer atitude daquele jovem seria ele por completo, de todo ou simulado, parcialmente ou verdadeiro, sempre ele. Ontem, li por aí que Rushdie, em uma palestra em São Paulo, disse que num mundo pós-freudiano não há como pensar num eu, pois somos um saco de eus. Ele disse mais, que a literatura disso nos lembra sempre, que somos um conjunto de personalidades. Sartre, pós freudianamente, parecia dizer o contrário, na memória daquele jovem. Talvez esta que esteja fraca, ou ele que não leu direito aquele livrão (O Ser e o Nada). 16 anos depois, o (já não mais) jovem ainda está com o filósofo, o conjunto de personalidades que somos não diminui o eu, constitui. A personalidade é diversa, não o eu. Pense no ator e suas personagens, haverá sempre uma única pessoa interpretando todos aqueles papéis. Era disso que Sartre falava e com o que ainda concordo.

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