Trecho de um conto

Um trecho de um de meus contos, especialmente pra você. É o bilhete deixado por ela antes de ir embora:

‘Primeiro de tudo, detesto você! Segundo de tudo, nossa, como te detesto! Minha língua esteve sempre salgada, explorando com a boca a pele do meu sexo, não do teu. Você foi um bom amante. Os dentes que se pregaram à superfície do meu prazer, abraçaram o teu corpo numa mordida minha. Fiz tudo na primeira pessoa, você foi, sim,  só um bom amante. Quantas vezes era meu corpo que se contraía numa simples falta de fôlego da minha boca, não por tuas qualidades. Te usei, mais nada. Fiz bom uso de ti, é tudo. Minhas mãos passearam os contornos do teu corpo esculpindo a forma da vontade que eu carregava entre os meus dedos, não entre as tuas pernas. Quando eu deixava à entrega o teu prazer, era pra favorecer minha procura pelas fraquezas do teu caráter. Você, que vestia o meu cansaço depois do sexo, e ia embora com ele, amante. Meu orgasmo converteu-se em ver teu corpo usado sendo cuspido da minha cama logo que ia embora. Meus olhos deixaram de se fechar à procura do escuro de sensações em que o êxtase nasce. Algo em mim morria com a pergunta que seus olhos iam me fazendo a cada intervalo de dia. E, ontem, só ontem, senti que meu batimento cardíaco finalmente expulsou de meu sangue o teu sêmen. Foi o último gozo. Enquanto eu me debatia com o orgasmo à cama, encontrei as palavras e gritei bem alto no teu ouvido que te amo, seu cretino, te amo! E você nem me ouviu.’

Faz mais de 6 anos que guardo isso na gaveta, está na hora de publicar. Eu acho.

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