Fragilidade

Você é o cara, veja só. As convicções correm por suas veias, impulsos conduzindo a quaisquer atos. Tem carta branca do destino, ele acena pra você, então escreva sua história e assine com vaidade. Sem medo, nem receio, a imponência de um sentimento de certeza. O mundo não pode com você, sentado à platéia ele aplaude. Esqueça o jogo de cena, se o espetáculo é seu, haja com naturalidade. Assim é que a vida faz todo o sentido, nenhuma lógica a contradirá.Você é o cara.

Desse modo esqueça. Que você não é o centro.

Após a linha do horizonte há mais um risco limitando a distância. Convalesça por não poder alcançá-lo. Hoje, o mundo lhe despreza, o tempo corre de você, ninguém ocupa a sua cama, nem dedica-lhe um afeto. Mas que diabos acontece, se pergunta. Aquela vaidade se transforma em pena. De si mesmo, você se envergonha. A pele enruga, a expressão vazia, o abandono. A dor no peito não cede, de que adianta gritar abafando o choro no travesseiro? Quanto drama! Sim, você não é o cara.

Desse modo esqueça. Que você é o centro.

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