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Éloge de l’amour

“Que os sentimentos provoquem os acontecimentos, não o contrário”, ouvi no Elogio ao amor [1], de Godard. Assisti a esse filme umas 7 vezes, depois que estreou, em 2001. É um dos meus preferidos. Sobre isso que eu ouvi, não esqueço até hoje. E como postei um texto do DFW, há pouco [2], lembrei dessa citação. Nela, implica o fato de que nossas motivações deveriam vir de dentro, lugar em que o sentimento reinaria, sem lógica, significado ou razão. Idealizador do mundo, revitlizando-o em todo o seu tédio e monotonia. Claro que, depois do sentimento nos incitar, uma dose de realidade é necessária. Porém, o receio é hoje essa dose ter se tornado a medida toda, como se os sentimentos não fossem reais, tivessem que ser castrados pela razão legitimadora do mundo.

Daí eu vou lá e publico o texto do DFW, que é de uma sabedoria e beleza singela incríveis. Só que quantas pessoas o lerão por completo? Das que lerem, quantas se sensibilizarão? Destas últimas, quais tentarão seguir conscientes e vivas, um dia depois do outro? Sei que isso não se controla, nem se espera, a decisão é delas, mas apenas reclamo da falta que companhias sinceras fazem. Companhias que sintam e hajam de acordo com o coração, para além da configuração padrão vinda de fábrica. Infelizmente, como ele diz, “o mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão”.

E o ruim é que desse modo as pessoas se tornam objetos e objetivos, tudo girando em torno do grande centro que é o eu, que não se percebe cada vez mais isolado e solitário, já que não admite muito nem reconhece a beleza do outro. É como eu conversava, dia desses, com um amigo. As pessoas parecem todas estarem tão certas de si. Nesse individualismo que restringe a descoberta e o amor pelo outro, cada pessoa se torna um invólucro de sua própria alma, selada a sete palmos dentro desse perímetro restrito que é o corpo.