Considerações sobre Corpo de Baile

A Cláudia Campos Soares lhe explica melhor o histórico das diferentes edições dessa obra de Guimarães Rosa, lançada em 1956:

“Como se sabe, a primeira edição de Corpo de baile veio à luz em dois volumes. A segunda, reuniu as sete novelas em volume único. A partir da terceira edição, entretanto, o livro passou por uma modificação mais radical. Desta vez, foi dividido em três, e os novos volumes ganharam subtítulos individualizadores: Manuelzão e Miguilim (“Campo geral” e “Uma estória de amor”), No Urubuquaquá, no Pinhém (“O recado do morro”, “Cara-de-Bronze” e “A estória de Lélio e Lina”) e Noites do sertão (“Dão-Lalalão” e “Buriti”).
(…)
Desde a divisão do livro, as estórias foram sendo publicadas de forma cada vez mais independente. Na edição de 2001 (que era a mais recente até 2006)1, a única indicação de que os três livros integram um projeto maior é o discreto Corpo de baile que aparece (entre parêntesis e em tipos menores) logo abaixo do nome atribuído a cada volume, no frontispício. Os subtítulos tardiamente acrescentados ascendem a títulos também na ficha bibliográfica impressa nas costas da página de rosto, na qual a indicação do nome do conjunto de estórias desaparece completamente. Somente na orelha dos livros os editores informam o leitor acerca da concepção geral da obra. Recentemente, a editora Nova Fronteira, atual detentora dos direitos de publicação da obra de Guimarães Rosa, lançou ainda uma edição somente de “O recado do morro” – provavelmente por exigência de mercado, uma vez que esta novela foi indicada para o Vestibular 2008 da Universidade Federal de Minas Gerais.
(…)
Em 2006, quando completou cinqüenta anos, o conjunto de novelas de Guimarães Rosa intitulado Corpo de Baile ganhou uma edição comemorativa que resgatou características importantes de sua primeira edição e, por isto, chamou a atenção para um aspecto fundamental do livro que andava quase esquecido: a sua concepção de conjunto.2

E é esta última que chegou aqui em casa, hoje, apesar de estar esgotada. Buscando na Estante Virtual (em que exemplar do livro de 1956 chega a custar R$1.475 ou R$ 2.750, se autografado), encontrei apenas um exemplar dessa edição comemorativa, de 2006. Atualmente, a Nova Fronteira está lançando tudo novamente, mas naquela divisão em volumes. O primeiro já saiu e os demais ainda não têm previsão.

Se você se interessou em ler o artigo da Claudia Campos Soares, eu o disponibilizo, aqui. Nele, ela tratará da concepção de conjunto da obra, o quanto uma leitura do todo revela mais camadas de interpretação, as quais se perdem ao lermos os contos sem estabelecer relações. Porém, adianto que a autora passa a maior parte do artigo comentando os contos e ilustrando os pontos em questão cotejando a obra. Acaba que para lê-lo seria melhor ter lido antes o próprio livro.

  1. lembrando que este texto dela é de 2007. Há, atualmente, uma edição mais recente, lançada agora em 2010, da qual saiu o primeiro volume já []
  2. este parágrafo do texto, na verdade, é o primeiro dele, não vem depois dos anteriores, como está aqui no post. Inverti a ordem com a intenção de fazer um panorama do histórico de publicação desse livro. No texto dela, a intenção é falar da concepção de conjunto da obra. []

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