Alcântara Machado

Fiz questão de postar o conto “A Sociedade“, de Alcântara Machado, porque esse autor não só é pouco conhecido, como também pouco valorizado. Uma das razões talvez seja sua morte precoce. Se tivesse ido além dos 34 anos, ele teria deixado um legado maior e melhor. Outra, os dois de Andrade, Mario e Oswald, que não eram parêntes, apesar do sobrenome. Estes encarnaram e viveram o Modernismo dos, sei lá, primórdios até a extinção. Enfim.

Apesar de A. Machado ter vivido mais a parte estética desse período, do que a ideológica, ele já adiantava questões desta natureza. Suas crônicas evidenciam mais claramente isso, vale muito a pena lê-las. Porém, trago-o aqui mais para fazer uma breve nota a respeito de sua linguagem. Ao lê-lo, percebo o quanto esse paulistano, em particular, adiantou em muito elementos estéticos que, por exemplo, hoje ainda lemos em nossa literatura.

Por isso é bacana ler “A sociedade” e notar sua destreza no uso da oralidade, que apesar de hoje ser lugar comum, naquela época era quase literariamente impensável. Além disso, a composição das cenas, seguindo um pouco o jogo de edições que o Cinema permite, ele que intitulou seu primeiro livro de “Pathé-Baby”, em que seu narrador praticamente funciona como uma câmera cinematográfica. A dinâmica exposta na economia das frases e o uso apenas necessário dos adjetivos é outro ponto de destaque, afinal isso era o oposto do que se fazia nas gerações anteriores. Contemporâneo dos Andrades, claro que A. Machado foi por eles influenciado, mas também, apesar da curta carreira, deixou sua marca autoral em nossa história literária.

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