O caminho para a eternidade

“Ouça. Antes de partir vou lhe contar uma coisa. Sou a sua alma e todas as suas almas. Quando eu me for você morre. A humanidade passada está não apenas implícita em cada novo homem que nasce mas contida nele. A humanidade é uma espiral em permanente expansão, e a vida é o facho de luz que ilumina efemeramente cada anel sucessivo. Toda a humanidade do início ao fim já está presente, mas o facho de luz ainda não iluminou além de vocês. Seus sucessores terrestres aguardam silenciosamente e confiam na sua orientação e na minha e na de todas as pessoas dentro de mim para preservá-los e levar a luz adiante. Você não é agora o ápice da linhagem de sua gente mais do que sua mãe era quando estava com você dentro dela. Quando eu o deixar levarei comigo tudo o que fez você ser o que é – levarei todo o seu significado e importância e todo o acervo de instinto, apetite, sabedoria e dignidade humana. Você será deixado sem nada atrás de você e sem nada para transmitir aos que o aguardam. Ai de você quando o encontrarem! Até logo!” (Em O Terceiro Tira, de Flann O’Brien).

Aliás, capítulo no qual a personagem conhece o mapa em que está descrito o caminho para a eternidade. E, o melhor, ela o toma e a experimenta, vendo inclusive como a eternidade funciona.

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