/arquivo de June 2010

Trecho de uma carta

(…) É impressionante mesmo como a mão que acaricia também machuca, o mesmo corpo que nos inspira também repulsa, e não fossem tão cegos os desejos, descobriríamos que a eternidade que eles sugerem é indelével no rastro que depois em nós deixam. A ruína é o caminho que eles traçam e a dor com que […]

Perto do coração selvagem

“Eis-me de volta ao corpo. Voltar ao meu corpo. Quando me surpreendo ao fundo do espelho assusto-me. Mal posso acreditar que tenho limites, que sou recortada e definida. Sinto-me espalhada no ar, pensando dentro das criaturas, vivendo nas coisas além de mim mesma. Quando me surpreendo ao espelho não me assusto porque me ache feia […]

A névoa

Mis pasos en esta calle Resuenan En otra calle Donde Oigo mis pasos Pasar en esta calle Donde Sólo es real la niebla Octavio Paz.

O tempo, o tempo, o tempo…

“nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero (…) o tempo, o tempo, o tempo me pesquisava na sua calma, o tempo me castigava … que súbito espanto, que atropelos, vendo o coração me surgir assim de repente feito um pássaro ferido, gritando aos […]

Cessão

Nos últimos dias eu acordava com uma dor em meus ombros. Percebi que eles estavam saindo do lugar, um pouco a cada manhã. Hoje, acordei e eles tinham caído de mim. Pude ver quando meu corpo se levantou, abriu a porta e foi embora do quarto.

Pensamento

“Corrói-me um pensamento atroz: morrer na cama, entre lençóis e, como flor quando em sigilo o dente do verme a rói, fanar-me lentamente, consumir-me, tal qual vela a queimar em quarto sem vivalma, devagar.” Petöfi

Julio Cortázar

Amor, da Clarice

Publiquei aqui, ontem. Mais do que recomendada a leitura desse conto.

Amor,
Clarice Lispector

Nada

“A veces un gusto amargo, Un olor malo, una rara Luz, un tono desacorde, Un contacto que desgana, Como realidades fijas Nuestros sentidos alcanzan Y nos parecen que son La verdad no sospechada…” Um fragmento de Nada, poema de Juan Ramón Jiménez (1881-1958), que conheci na epígrafe do romance homônimo de Carmen Laforet, que ainda […]

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