Iniciação à literatura

Ontem, conversando sobre a literatura que tem atraído os mais jovens, discuti o quanto pode ser boa a adoração deles por esses livros das novas sagas de vampiros. Virou febre, como Harry Potter, há alguns anos. Isso é bom? Por um lado, claro, afinal estão lendo e esse fato já é muito, se pensamos nos baixos índices nacionais. Por outro, e apesar de estarem lendo, não significa que há aí uma iniciação, pois dificilmente eles passam desses para outros livros mais ricos ou os considerados clássicos. No geral, essas leituras alimentam a si mesmas e os novos leitores aderem aos respectivos autores ou sagas sequenciais, como fiéis. Tem sido assim sempre e o fenômeno literário do jovem bruxo (ou do velho mago brasileiro) é o exemplo mais recente, já avisando como será com essas novas sagas atuais.

Hoje, eu leio uma entrevista na Bravo!, com o Todorov, na qual ele aponta os professores como sujeitos responsáveis pela iniciação dos mais novos à literatura. Penso, como muitos, que a educação é a base para tudo, venha ela da Escola ou de casa. Como em casa é mais difícil promover a leitura, já que não somos um país familiarizado com isso, então fica a cargo da Escola e seus professores. E valendo aquela máxima – que li, hoje, inclusive – de que a iniciação à literatura começa através da influência, seja do Pai ao filho ou do Professor ao aluno. O que não pode ser dificultado é esse meio do caminho e, por isso, Todorov faz mea culpa ao condenar o ensino antes da Teoria do que da Literatura.

Pensando no universo acadêmico, isso se torna ainda mais evidente, pois pouco se lê Literatura e muito se fala de Teoria. Os jovens vêm do Ensino Médio com uma bagagem pobre e chegam na Academia tendo que investigar os meandros dessa Arte. Assim, saem na maioria especialistas em teorias, mas e a Literatura? Daí esta relegada àquela e, quem sabe, a distância entre o Professor e o Aluno, nas escolas (sem entrar nos outros problemas que isso provoca).

Bom, já que o primeira passo para a salvação é a consciência própria, então eu colo um trecho do Todorov, lembrando que Edward Sapir meio que batia nessa tecla, quando falava do papel do crítico literário, o qual antes de tudo deve promover a leitura, não comprovar teorias ou julgar obras:

Os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade.

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