Cultura, conteúdo e monetização digitais

Por cultura me refiro ao modo de pensamento atual, este que vem se moldando após a difusão da internet e a inclusão digital. Nós estamos em um período de transição, ainda, e há mais de 10 anos, enquanto antigas respostas, ainda, e há mais de 10 anos, tentam dar conta de novos questionamentos. Nenhuma novidade nessa tentativa falha, afinal esse é modo operacional ou resposta automática do ser humano de fábrica. Se você pegar qualquer momento histórico relevante, perceberá que é sempre assim que ocorre mesmo. Se você pegar qualquer fato, que represente mudança de rotina, perceberá que é assim que ocorre mesmo. Então, não atentemos contra nós mesmos, pois sairemos derrotados.

Por que vim aqui escrever sobre isso? Porque li essa entrevista com Gerd Leonhard, no Caderno Link, do Estadão. E o que ela tem de mais? Aqui e ali comentários bem relevantes, os quais você lê direto na fonte, entre eles 5 previsões para a próxima década:

1. A propaganda móvel vai superar o modelo decididamente ultrapassado da Web 1.0, centrado no computador – e os anúncios vão se tornar conteúdo, quase completamente. Os anuncios vão, dentro de 2 a 5 anos, converter-se massivamente em móveis, baseados em geolocalização, opcionais, sociais e distribuídos pelo usuário. A propaganda se torna convergente – e o rendimento do Google será des vezes maior do que é hoje, em cinco anos, conduzido por mobile e vídeo.

2. Os tablets se tornarão a maneira como muitos de nós lerão revistas, livros, jornais e até “irão” a shows, conferências e eventos. O famigerado Apple iPad irá inaugurar isso, mas todas as grandes fabricantes farão uma cópia do iPad nos próximos 18 meses. Além disso, os tablets vão estrear a era da realidade aumentada em mobile. Isso será o grande boom das empresas de conteúdo, no mundo todo – mas só se elas puderem abandonar os esquemas de proteção do conteúdo, e cortar os preços em troca de uma base de usuários muito maior.

3. Muitos fabricantes de smartphones simples – provavelmente a primeira será a Nokia – vão tornar os aparelhos gratuitos, cobrando uma pequena taxa por todas as transações feitas pelos telefones (mais ou menos como os cartões de crédito fazem atualmente), por exemplo pequenas compras, conteúdo on-demand e acesso bancário. Os telefones móveis se tornam carteiras, bancos e caixas eletrônicos.

4. Boa parte dos celulares não vão funcionar em nenhuma rede em particular, ou seja, sem SIM cards. O Google, e talvez o Skype, a LG ou a Amazon vão oferecer telefones móveis que vão funcionar só com WiFi e WiMax, e vão oferecer ligações mais ou menos gratuitas. Isso deve finalmente acordar as operadoras e forçá-las a subir na cadeia alimentar – para produtoras de conteúdo e provedoras de “experiências.

5. O conteúdo será embutido nos contratos de serviço mobile, começando com música. Por exemplo, uma vez que seu telefone ou computador esteja online, muito do uso de conteúdo – baixado ou em streaming- será incluso. Pacotes e taxas únicas – muitas delas financiadas pela propaganda 2.0 – se torna o jeito principal de consumir e interagir com conteúdo. Primeiro (será com) música, então livros, notícias e revistas, e então filmes.

Ele estará em São Paulo, dia 24, a quem interessar possa.

Flattr

Outro assunto, um dos temas da entrevista, e que tem a ver com o que eu comentei no primeiro parágrafo é o Flattr. Uma nova forma (ainda que ideia antiga. E ainda que inventada pelo Peter Sunde [1] ) de monetização na internet, baseada em uma espécie de doação, como o Pay Pal. Melhor do que eu tentando explicar é esse video que apresenta a proposta:

Sempre pensei que, se inventassem uma forma de moeda, através da qual você pagasse pelas coisas que consome na internet, o mundo digital seria melhor. Mas eu sei que só por aliar as palavras “moeda”, “digital” e “internet” já esbarro em questões complicadas. E por usar o verbo “pagar”, então, aí não tenhamos dúvida disso. Porém, ainda assim penso que esse será o caminho e, ao contrário do que muitos imaginam, pagamentos em forma de doação voluntária funcionam e brasileiro também colabora. Há pesquisas a respeito, é só fazer uma busca rápida para você conferir os resultados.

No mais, temos questões muito interessantes a virem por aí, que envolvem o direito autoral, questões de propriedade e valor, além de uma nova forma de você enriquecer de dentro do seu quarto. Que maravilha, já pensou? É só espalhar conteúdo alheio, conseguir milhões de seguidores e agradá-los a ponto de doarem uma graninha. Muita gente já faz isso. Tenta a sorte, enquanto as coisas não evoluem e nada se regulamenta.




notas:
  1. o cara do Pirate Bay, que ironia []

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