Coordenadas

Escrevo em cadernos de brochura. São aliados fiéis munidos de abscissas em branco, todas às minhas ordens. Subservientes aos lápis ansiosos, as linhas germinam idéias ao se auferirem de suas palavras os pensamentos. À margem esquerda, as ordenadas possuem apenas direção, de avesso feminino, intitulada y. É a grande incógnita, que interrompe a caligrafia alertando sobre a existência de limite: para cada meio de caminho há sempre uma origem. Não há margem à direita, pois o final é um passo em falso antes da queda. Mas ali outros se encaixam e se dá asas ao que venha. Assim, cada caderno se soma a outro e sua multiplicação constrói essa Babel particular, que parece ser de autoria, mas não se domina. Ainda, e o mais importante, há um plano que se prolonga ao infinito, em todas as direções imagináveis: perpendicular, atravessa cada um desses cadernos, no eixo das que eternizam, as abismais.

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