Paixão

Se você esperar de mim alguma providência, está fodido. Fo-di-do (batendo a porta)! Olhou pelo quadradinho de vidro reforçado, pra garantir, e sugeriu atravessar as grades da janela de ferro ou pendurar-se pelo pescoço em lençol de plástico. Ela pensou firme, até esboçou o movimento, deu todos aqueles indícios, mas borrou-se em lágrimas e os outros esticaram os lábios preguiçosos. Quem se importa? Se o sol deflora a Terra todo santo dia, nenhuma louca vai alterar a ordem das coisas. Mas ele… Ele voltaria. Porque sim, eu adianto. Porque dela, a tal diria. 6:15, nenhum sinal. 7:23, outro confessor. E assim por diante, pois as férias. Então tremeu toda batendo a cabeça uma duas três descabelou-se e descabelada gritou nas madrugadas até selada até sedada suou sangue suou extirpando o espinho da chaga. Já de volta às ruas, descobriu que estar sã era só fachada e tão logo voltou. Porque o diabo, o diabo veste-se de anjo. No fundo, é do que ela gosta, a maligna. Cadê ele, quando ele volta?

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