À sombra do vulcão

O velho desamarrou seu cavalo preso à árvore e disse vai, vai-se embora. Chegou até ali, você sabe que a essa altura já não há mais o que temer. Estamos em meados de 60. Acima, há o morro, do qual vem a corredeira. Aqui, ele disse, enquanto o rio desafia o tempo, eu completo mais um ciclo dessa vida. O cavalo não se vai, essa árvore também será testemunha e à minha alma, de tantas memórias cansadas… Sentou-se ao lado da cruz de Anísia, minha avó por parte de mãe, e esperou pela sombra do vulcão. Ele apontou no horizonte cobrindo o dia e sem pressa os olhos se dobraram. O procuraram por dias. Quando lá estive, não encontrei seu corpo, nem a cruz, mas a carcaça do animal havia ficado. Não foi por isso que eu havia ido, queria era ver o tão famoso rio e presenciar aquela história de vulcão. A única coisa que eu posso dizer agora é que me fui antes de escurecer.

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