Santa ceia

Apontou no horizonte como se descesse do céu. De súbito, o instinto deles eriçou a fome, enquanto o stilleto vinha acariciando a calçada. As canelas anunciavam a grandiosidade daquelas coxas, que cegavam à altura do sexo, estampado por um vermelho maduro. Já o vestido, soprado pelo vento, provocava as feras na arena. Não apenas os olhares ficaram petrificados. No ar, também os braços ostentavam rígidos suas refeições. Os olhos famintos mal tinham chegado aos seios, porque não é com pressa que saciam a cobiça. E os lábios provocantes esboçaram um risinho safado, culpa daquele vermelho malicioso. Com o nariz esculpido à altura de Deus – que, definitivamente, não é dali de cima que zela pelos seus –, ela os manteve famintos e religiosamente rendidos. A comida por fim esfriou, enquanto às costas desciam os olhares estanques, no chão. Ao soar do sinal, e então à labuta, voltaram ferozes.

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